sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Psicologia para psicólogos

O estudo da Psicologia tem umas peculiaridades. Me deparei essa semana com uns escritos de Freud, que em determinado momento menciona a diferença que existe entre estudar as ciências convencionais (tal como física, matemática) e o que nós fazemos m Psicologia. Pensamos sobre o funcionamento do órgão que nos faz pensar, ou seja, fazemos ciência, “sobre a ciência do ser e do pensar”. Daí a pergunta: será que o pensar dá conta de entender a dinâmica do pensar? (que pergunta maluca, né?). O interessante é que de tão complexo que é o nosso pensamento, corremos o risco de não compreender alguns textos, conceitos, teorias por causa da relação que estes têm com a nossa subjetividade.
Pois é! Comecei a verificar esses impasses quando me deparei com assuntos que para mim eram muito simples de compreender e alguns colegas quase entraram em parafuso. Dou exemplo de assuntos fáceis para mim, não por não ter problemas na compreensão dos assuntos, mas porque dificilmente conseguimos perceber quando estamos dentro dessas situações. O ponto onde quero chegar tem a ver com as resistências individuais.
Nós, estudantes de psicologia não estamos imunes ao efeito do que lemos. E algumas vezes esta defesa (que não é necessariamente ruim) nos impede de assimilar alguns conteúdos. Pra quem já viu algo sobre mecanismos de defesa facilita uma pouco. De qualquer forma, tem um site com umas boas definições (pelo menos para compreender o que acontece conosco): http://www.psicologado.com/site/escolas/psicanalise/mecanismos-de-defesa
Não é um problema nos utilizarmos destes artifícios, porém existem mecanismos de defesa que, deependendo da situação, serão elabaorados de maneira muito pobre, ou seja,  alto gasto de energia e baixa eficácia. Mas como assim? Nesses caso os exemplos são sempre muito complexos, no entanto acho que a galara que está lendo este blog é da área psi ou simpatizante por isso, não é um absurdo pensar que temos ações que fogem do nosso controle. Algumas vezes percebo que em determinada aula, sinto uma vontade de sair, ir no banheiro, falar no celular, etc. Neste momento posso ter um mecanismo de defesa em ação (mas também pode ser que aula esteja um porre). A idéia não é psicologizar a vida, mas evitar alguns desgastes. É mais interessante pensar "qual a relação/significado que essse tema possui na minha vida?". Já vi amigas minhas sairem irritadissimas de algumas aulas por causa das discussões que se desenrolaram em sala de aula. Imagina uma pessoa que tem um ente portador de algum sofrimento mental, com episódios de agressão, ouvindo um professor defender a luta anti-manicomial? Justamente, a luta-antimanicomial na minha opinião não está errada, porém uma pessoa que nunca viveu esta situação tem muito mais condições de me distanciar e compreender a questão que uma pessoa que vivenciou esta história. Quando o sujeito do exemplo acima ouve o professor ou colega dizer que paciente psiquiátrico deve estar com a família, pode ser que esse sujeito-imaginário  reviva todas as experiências angustiantes relacionadas a esse tema. É possível até que esta pessoa empreenda discussões enérgicas na defesa de manter os pacientes psiquiátricos sob internação permanente. Porém toda essa argumentação estará apoiada sobre as experiências pessoais e não no que seria o melhor tratamento para um paciente com sofrimento psíquico.
Esse é um tipo de discussão que na minha opnião se assemelha à discussão que se terce me torno do paradigma da neutralidade em pesquisa. Não existe um pesquisador-modelo. o que existe são pessoas que se interessam por determinado assunto a partir das suas experiências subjetivas. Por isso aprecio considerávelmente a idéia de que quando escolhemos um tema de pesquisa. Acredito que sempre somos denunciados por nossas escolhas e nossos discursos. Como já disse, isso não é necessariamente ruim, nem bom. O lance é como nos relacionamos com essas questões e se estamos dispostos a pensar sobre elas. Do contrário, quando nos deparármos com essas situãções na vida profissional, corremos o risco de responder de acordo com as nossas próprias experiências, desconsiderando a singularidade do sujeito.

Um comentário:

  1. Seu post me traz de volta a um comemtário que faço e que as pessoas quase nun ca entendem: É DIFÍCIL ESTUDAR PSICOLOGIA!!! Não exatamente por ser um curso difícil, de muitas (e difíceis) leituras, mas precisamente porque a energia que gastamos não é só intelectual, não se trata tão-somente de uma produção mental para entender uma lógica matemática ou uma cadeia de carbono... Mais que isso, o que lemos, o que estudamos, o que discutimos, fala de nós! Somos todos um pouco histéricos, um pouco obsessivos, um pouco fóbicos, um pouco paranóicos... um pouco violentos, um pouco sádicos, um pouco preconceituosos... ou muito de tudo isso, afinal! E só quem viveu a experiência de ler algo que parece falar de você e para você é que entende do que estamos falando. Perceber nossos mecanismos de defesa e não conseguir dar conta deles; deitar no divã e sair dele com mil interrogações que vão se esclarecendo nos livros, na sala de aula, na boca dos colegas e professores; implicar-se nas próprias questões e naquelas que fazem do mundo um lugar pior (ou melhor, a depender da situação)... tudo isso é dificílimo! Sinto-me exausta, às vezes! Há momentos em que preciso me controlar para não jogar um livro-inimigo-rival caríssimo pela janela pela simples fato de ele me dizer impropérios (?) que não quero ouvir (ler). Com todo o meu respeito aos estudantes e profissionais das outras áreas - cada uma com sua especificidade - e aos ouvidos e olhos sensíveis que me estejam lendo nesse momento, SER PSI É PHODDA!!!

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